Essa
semana fomos surpreendidos pelas declarações do apresentador do programa de
rádio “96 Minutos” Gustavo Negreiros, da 96 FM, uma emissora de Natal (RN). Ele
afirmou que uma menina de 16 anos é histérica, que “está precisando de um
homem, de um macho ou de uma fêmea, pois ela precisa de sexo porque é uma mal
amada”. Na ocasião também acusou a jovem de fumar maconha. Ainda sobrou para
jornalistas que, segundo Negreiros, gostam de porcaria.
Tudo
isso, porque Greta Thunberg, 16 anos, ativista, fez um discurso duro em defesa
do meio ambiente e criticou os dirigentes das principais nações do mundo, em
evento paralelo à Conferência da ONU. Greta Thunberg foi Indicada ao Prêmio
Nobel da Paz e já discursou em eventos internacionais como a COP24, a
Conferência do Clima da ONU e no Fórum Econômico Mundial. É vegana e portadora
de Síndrome de Asperg, um tipo de autismo. Foi a criadora do Fridays for
Future, um movimento global de estudantes em prol do meio ambiente que já contou
com a participação de mais de 1,5 milhão de jovens em mais de 100 países. O que
está por trás desse discurso machista, misógino, raivoso e cheio de ódio do
apresentador Gustavo Negreiros? Pode-se discordar do discurso de Greta, pode-se
argumentar que há patrocinadores com interesses inconfessos apoiando a menina,
pode-se discordar que existam eventos paralelos à Conferência da ONU. Mas não é
possível ficar calado diante de um ataque como o feito por Negreiros. Porque
ele não atacou apenas Greta. Ele atacou todas as mulheres e meninas que lutam
por seus ideais. Ele atacou a juventude porque acha que ela não tem o direito à
palavra, não tem direito a opinar. Onde o discurso de Greta tem a ver com a sua
vida sexual? O machista não se contrapôs, não contra-argumentou ao que ela
disse. Não. Ele tentou desqualifica-la da pior maneira possível. Não buscou
argumentos para debater meio ambiente com ela. Falou sobre seu corpo, sua
sexualidade. Para essa criatura, jovens e mulheres não têm o direito de opinar
e de ocupar o espaço público. Nós, que representamos os estudante brasileiros,
repudiamos de forma veemente essa declarações, esse comportamento desrespeitoso
e nos sentimos como Greta se sentiria se ficasse sabendo que, no Brasil, em
pleno século 21, um radialista usa uma concessão pública para atacar com seu
ódio misógino quem defende um mundo mais justo. Nos sentimos atingidos e no
direito de reafirmar que esse tipo de declaração não nos calará nem nos
colocará na defensiva. Vamos continuar denunciando as injustiças, lutando pelo
meio ambiente, pela educação de qualidade e pelos direitos da juventude e das
mulheres. Felizmente, a reação da sociedade às infelizes declarações foi forte
e rápida. As empresas retiraram o patrocínio ao programa, o apresentador foi
demitido e temos a opinião de que deveria ser processado, porque foi muito além
do direito à liberdade de expressão. A Associação de Juristas Potiguares pelo
Democracia e Cidadania (AJPDC) veio a público por meio de uma nota, repudiar a
fala de Negreiros, que também é advogado. Diz a nota que “a fala misógina
disfarçada de opinião evidencia a necessária e urgente desconstrução dos
estereótipos machistas e o debate sobre a discriminação da mulher na sociedade,
especialmente, no nosso país”. Esse episódio de preconceito geracional e
misoginia tem que ser pedagógico e ensinar pra Natal e pro Brasil que o povo
não aceita mais essas atitudes. Sabemos que esse não foi o primeiro caso de
machismo na mídia, mas nossa batalha e pressão é pra que seja o último.
Por Pedro Gorki
Presidente da União
Brasileira de Estudantes Secundaristas-UBES

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