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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Ao agredir jornalista, Bolsonaro agride a todas as mulheres.


A agressão do presidente da República Jair Bolsonaro à jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S. Paulo, é um fato da maior gravidade. Sua atitude obscena, indigna para qualquer pessoa, se agrava pelo cargo que exerce. Ao agredir a jornalista, Bolsonaro atinge, de maneira desprezível, o povo brasileiro, em especial as mulheres.
Esse ato insano poderia ser punido pelo que estabelece o Artigo 85 da Constituição, que tipifica os crimes de responsabilidade do presidente da República. O inciso III define como criminoso o atentado ao exercício dos direitos políticos, individuais e sociais.
Pelo que está inscrito nas leis do país, Bolsonaro atentou contra a dignidade, a honra e o decoro do cargo, ao ofender a reputação e a imagem da jornalista, além de tentar cercear o seu direito profissional – mais um ataque à liberdade de imprensa e de expressão.
O presidente cometeu um festival de ilegalidades, mas a questão vai além. Ao se referir a Patrícia Campos Mello dessa forma vulgar, ele agride todas as mulheres. A dura caminhada para banir comportamentos machistas e misóginos sofre um tremendo revés com atitudes como essa.
Bolsonaro desrespeitou a emancipação da mulher, uma ideia civilizatória. E ao proceder assim, deu mais uma enorme contribuição para incentivar comportamentos de violência e agressão de todo tipo às mulheres. Não teve a menor consideração pelos avanços na direção de uma sociedade em que o respeito a todas e a todos seja a regra básica.
Essa atitude não pode deixar de ser rechaçada com veemência. A opressão da mulher precisa ser combatida diuturnamente, de todas as formas. A conscientização, a explicação dos motivos que fazem dessa condição algo inaceitável e o estabelecimento de regras que assegurem os direitos da mulher são fundamentais. Mas também é fundamental não aceitar atitudes criminosas como essa.
A defesa da democracia pressupõe respostas contundentes a cada agressão bolsonarista. Defender a Constituição e os demais instrumentos que asseguram a convivência civilizada é fundamental. Mas a sua consecução implica entender que isso é a ideologia da extrema direita. É a ideologia do ódio e da violência. Atitudes como essa do presidente fazem parte da sua visão de mundo, do seu comportamento cotidiano. É preciso contê-la.
Fonte: www.vermelho.org.br – por redação

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